SAMPAIO (ANTÓNIO RODRIGUES) - O ESPECTRO

SAMPAIO (ANTÓNIO RODRIGUES) - O ESPECTRO

SKU: 13895
€150,00Preço

SAMPAIO (ANTÓNIO RODRIGUES) - O ESPECTRO
Nova edição conforme a edição original
Lisboa. Typographia do "Diario da Manha". 1880. In-4º. 63 númrs. Enc.


Reedição em forma de livro em 1880, com frontispício próprio, dos 63 números deste jornal que foram publicados entre 1846 1847.

Encadernação antiga com bonita lombada em pele.

 

Volume em bastante bom estado de conservação sem defeitos a destacar. Tem antiga assinatura de posse datada de 1894.

  • Informação Adicional

    Sobre António Rodrigues Sampaio, por muito completo e informativo, recomendamos aos interessados a leitura atenta do artigo da wikipédia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Rodrigues_Sampaio

  • Detalhes

    Sobre este raro e histórico periódico, escreve Rita Correia:

    "O ESPECTRO - Jornal clandestino de natureza política, editado por António Rodrigues Sampaio, durante a guerra civil de 1846-47, também conhecida por Guerra da Patuleia. Em 1846, por pressão da rainha D. Maria II, apoiada pela ala liberal «cabralista», o Duque de Palmela demite-se, sendo substituído nas funções de chefe do Governo pelo marechal Saldanha. Na sequência deste episódio, que ficou conhecido por «emboscada do 6 de Outubro», as garantias constitucionais são suspensas, é interdita a publicação e circulação de todos os jornais políticos e é ordenada a prisão dos oposicionistas. António Rodrigues Sampaio, que na altura dirige o jornal A Revolução de Setembro, é um dos visados, mas consegue pôr-se a salvo. O rastilho da revolta faz estoirar, sob o comando de militares revoltosos, insurreições por todo o País. Apesar das interdições e de todas as medidas repressivas, a imprensa prolifera, bem como os panfletos políticos. São uma arma poderosa de propaganda e informação e, por isso, são chamados ao centro da acção política e militar que se desenvolve. É através deles que os beligerantes procuram chamar as populações à sua «causa» e manter elevado o entusiasmo dos que combatem.O primeiro número de O Espectro aparece a 16 de Dezembro de 1846. Logo na primeira página, sob o título «ADVERTÊNCIA», anuncia o seu programa-editorial: será o substituto do Ecco de Santarém, que já não correspondia à real dimensão da doutrina que advoga e «que acha écco em todo o paiz, (...), parte de todos os corações generosos em que estão radicados os princípios da justiça, da liberdade, da igualdade.»; e compromete-se a representar «a sombra das victimas que acompanhará sempre os seus assassinos e opressores», «o innocente a clamar vingança contra o seu perseguidor», «o dedo invisível da Providência». A universalidade dos princípios defendidos e o voluntarismo generoso da acção estavam também traduzidos, imediata e directamente, na produção e difusão do jornal que «nem se assigna nem se vende», será distribuído gratuitamente, porque «Algumas almas bem formadas teem offerecido o seu auxilio para ajudar a publicação». António Rodrigues Sampaio, com o auxílio inicial de Costa Pratas e, posteriormente, de Luís da Silva Coutinho Júnior, ambos tipógrafos, conseguirá manter a sua promessa e lançar em Lisboa, durante 7 meses - de 16 de Dezembro de 1846 a 3 Julho de 1847 -, sessenta e três números d’O Espectro. Aos quais se acrescentaram nove suplementos, motivados por notícias de última hora, normalmente de âmbito militar, que Rodrigues Sampaio considerou da maior relevância. Uma periodicidade assinalável, considerando as precárias condições em que era produzido. De facto, a perseguição a que estavam sujeitos quer o redactor, quer o tipógrafo, obrigaram a oficina - que mais não era que duas caixas de tipos e uma velha prensa em madeira, proveniente d’ Revolução de Setembro - a uma permanente itinerância: a Rua de São Caetano, a Rua do Quelhas e até o Convento dos Barbadinhos, são alguns dos locais dessa trajectória que se manteve sempre clandestina e a salvo de polícias, espiões e potenciais delatores. Idênticas cumplicidades, forjadas no calor da luta política, garantem a eficácia da sua distribuição que,
    embora praticamente circunscrita a Lisboa, alcançava as caixas de correio dos próprios ministros e as secretárias dos ministérios.Os condicionalismos resultantes da clandestinidade, mas também o baixo nível de desenvolvimento da imprensa nacional no segundo quartel do século XIX, reflectem-se igualmente no aspecto gráfico de O Espectro: um jornal de formato 25,5 cm x 19,5cm, de 4 páginas (por vezes 6), onde o texto se distribui invariavelmente por duas colunas, separadas por filete; é também este elemento gráfico que, na ausência de títulos ou de outros elementos identificadores, separa os textos nas colunas; os títulos, propriamente, são raros, mas existem algumas secções que se repetem em praticamente todos os números e que estruturam os conteúdos. Estão neste caso: «PARTE OFFICIAL» e «À ÚLTIMA HORA», além de um editorial, referenciado a Lisboa, e datado, que, em regra, ocupa toda a primeira página e parte da segunda; não há quaisquer ilustrações. Num país retalhado pela guerra civil e onde as redes de transportes e de comunicações não primam pelo desenvolvimento (em absoluto e por comparação com outros países europeus) são óbvias as dificuldades enfrentadas por um jornalista clandestino determinado em informar os seus leitores sobre o estado do país - no plano militar, político, financeiro e social - e até «do modo porque a nossa presente situação é avaliada lá fora» (Nº 7, de 30 de Dezembro de 1846). Mas O Espectro surpreende pela diversidade, qualidade e actualidade da informação que veicula. O próprio redactor parece ter a preocupação de referir a proveniência e o suporte da informação: cartas provenientes de todo o país e o «correio interceptado» às forças governamentais, para «que se saiba o estado do paiz pela bocca das autoridades do governo», constituem as principa